sexta-feira, 23 de maio de 2008

SEGREDOS E MEMÓRIAS DE UMA MULHER ATRAENTE E DESPUDORADA- segunda parte


Meu pai era um racista nojento. Racista declarado, com brios e carteirinha de preconceituoso étnico. No entanto aquele que não gostava de pretos, tinha um caso amoroso com Judite. A mucama que trabalhava lá em casa. Cuidava de mim, de minha mãe e às escuras dele, do racista de ocasião. Judite era muito boa para mim, independente do caso que mantinha com meu pai. Tinha um filho, o Júlio. Lindo e fofo. Tornou um homem grande e forte. Desconfiava que minha mãe sabia desse caso de amor entre meu pai e Judite, mas acho que não. A julgar pela reação dela quando flagrou. Desconfiava também que Júlio fosse meu irmão, mas não era. Ainda bem para nós dois. Júlio foi o primeiro homem da minha vida. Tínhamos treze anos e sempre passeávamos de mãos dadas... (pausa reflexiva) Certa vez, fomos brincar num riacho que passava por dentro da fazenda do meu avô. Pai de meu pai. Tão racista quanto. Uma vez ouvi e só entendi mais tarde. Ele, meu avô, queria implantar uma vertente da Klukluxklan aqui na Bahia. Pode? Fiquei revoltada quando soube o que isso significava. Tomei um banho querendo arrancar a pele, chorando de ódio e vergonha. Mas voltando ao Júlio. Soube que ele tomaria conta de mim, vibrei uma emoção estranha até então. Estranha mas prazerosa e fiquei feliz em ter Júlio por perto. Sem saber direito o porque daquela alegria jubilosa que tomou conta de mim. Às vezes esquecia isso, às vezes lembrava e ficava ofegante. Sentia uma brasa quando Júlio me abraçava nas brincadeiras e era eu quem demorava de ceder o abraço. Aos poucos fui ficando esperta e sabida nas coisas da vida. Essa natureza é própria de mim mesma desde o dia em que brincávamos nos bosques da fazenda. Ele me agarrava e eu o agarrava. De repente senti algo molhado entre minhas pernas, pensei que tinha me urinado, mas não. Passei a mão e senti o visgo. Imediatamente minha mente e minha libido transportaram meu olhar para Júlio. Quando tinha quatorze anos... (pausa reflexiva) Júlio me possuiu pela primeira vez num tesão agreste. Não que ele fosse estúpido ou rude ao extremo, mas fruto da inexperiência minha e dele. Foi no riacho da fazenda do meu avô. Brincávamos como sempre. Saltávamos pedras escorregadias. Dado momento deslizei sobre umas pedras, procurei algo para me segurar e na adrenalina da queda agarrei no calção de Júlio. O membro grande saltou e o segurei, também. Mesmo já em segurança, sentada numa pedra do riacho não larguei e aos poucos ele foi crescendo. Instintivamente fiz o movimento de vai-e-vem de quiromania e num instante ele estava duro e teso. Júlio se deixou levar e eu também. Não sabíamos como fazer direito, mas mesmo assim nos engolimos, por assim dizer. Foi um pouco dolorido, era a primeira vez de nós dois, como ele confessou, e Júlio muito grande. Mas conforme a dor diminuía, o gozo e o desejo de tê-lo mais e mais aumentava. Depois desse episódio fazíamos amor todos os dias no riacho. Ao final quando gozava, ele sorria levemente sobressaindo as covas da face na altura da bochecha.
Oh!Oh!Oh! Não me olhe assim filha, não me olhe assim... Você deve estar se perguntando porque uma velha como eu ainda fala coisas assim... Tão, tão... Desprendida, não mesmo? Sou um ser humano, filha. Já fui moça como você e agora estou velha. Além do mais são só palavras e o ser humano, jovem ou velho, não difere em sua essência. Todos nós somos iguais, ou parecidos no instinto, no cerne. Claro há os mais pudicos, reservados e os recalcados. Mas todos só pensam em sexo, portanto não se assuste com a velha Ana. Escreve tudo aí, vai ser uma bela história para os amantes...

TERCEIRA PARTE-TERÇA FEIRA 27/05

2 comentários:

gláucia lemos disse...

Gostei da espontaneidade desse conto, a narrativa flúi tranquila, leve. Aplausos.

Monique disse...

E quando ela se torna mulher, mais velha, o que acontece?