domingo, 8 de fevereiro de 2009

DESVIVÊNCIA- de Adanilde Duarte

Eu preciso aprender que as grandes coisas nascem do silêncio.

Eu preciso ganhar batalhas porém meu exército tem sido fraco.

Eu preciso acreditar que a primavera existe e que o sol resplandece após dias de chuva.

Eu ainda não sei viver, preciso aprender como se vive.

Preciso aprender a respirar e creio que respirar seja mais do que um ato inconsciente.

Eu que fui forte, desaprendi como se vive.

Ainda procuro entender mesmo sabendo que não é preciso entender para viver.

Acontece que desvivi. Se respirar é viver então desvivi.

Desvivi e prossigo desvivendo até eu lembrar como se vive novamente.

Parece loucura mas ainda escrevo algumas palavras. Elas juntam-se num fim de tarde ou numa noite mal dormida. Ainda escrevo. Se escrevo tenho esperança.

Os dias voam e sinto uma doce alegria ao fim de cada um deles porém a desvivência permanece.

Talvez seja necessário desviver para viver. É como as grandes coisas que nascem do silêncio.

É como passar um dia cinza ao lado de quem se ama.

A desvivência é necessária. Viver a desvivência é procurar todo o tempo. Procurando tento viver. Pena que ainda não achei. Mas como vou achar sendo que nem sei o que procuro? Procuro viver. Mas desviver não é deixar de viver, afinal eu não morri. Não compreendo, somente sigo.



Adanilde Duarte de Lima escritora mineira– 16-11-2008

2 comentários:

André disse...

basta escutar a balada do louco..sucesso...muito sucesso a voce.

GERALDO MAIA disse...

lindo despoema, amiga, muito bom mesmo, poesia pura, obrigado.

com carinho,
geraldo maia