segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

UM SOL PARA MIM- de Carlos Soares Oliveira

Todos nós temos fases. Alguns chamam de roda gigante, eu chamo de tobogã ou montanha russa. É mais emocionante. Comparo e reflito minhas fases nos meus escritos. Quem é íntimo de mim sabe o quanto sou explícito e deixo emoções brotarem pelos poros, pelos olhos e pelas linhas. Ruim ou bom? Não sei, mas sei que não sei ser diferente.

Lendo escritos antigos e atuais, nos paralelos que traço eu me vejo... Oscilando nesse tobogã, perigosamente, é verdade, mas deliciosamente também. Nessa reciclagem percebo três detalhes. Um... principalmente quando mais jovem, sempre precisei ter ao lado, alguém ,não necessariamente namorada, mas talvez um amigo ou amiga, para ajudar, elogiar, empurrar e até vigiar e brigar. Sim, vigiar e brigar, porque eu não confiava muito em mim. Não tinha muito juízo. Também não sei se já tenho, mas não gosto de ficar me testando. Dois... durante minhas fases negras, sejam de ordem financeira, psicológica, emocional, foi que eu escrevi alguns de meus melhores trabalhos, apesar de obscuros, controvertidos, tristes, soturnos, revoltados, narcisistas. Em FÊNIX, talvez a mais triunfal, tento dizer a alguém que eu venci. Em ÍCARO MODERNO, meu desejo de voar sem temer que o sol derreta minhas asas e que eu possa fazer versos ao universo. Em AQUI JAZ UMA FLOR, peço socorro na solidão. Em NARCISO, peço pra ficar sozinho mergulhado no lago do meu amor por mim, tipo “se eles não me querem, eu também não os quero”. Numa fase bem perigosa, escrevi SENSAÇÕES, onde me olho no espelho e depois de quebrá-lo, peço para morrer para começar tudo de novo. Como se fosse possível. Em PSEUDO, não acredito em liberdade real nem felicidade total. Loucura e genialidade num mesmo patamar, separadas por uma linha tênue do sim e do não. Quase fiel, quase na lei.Quase amado, quase amei. Vivi a esmo, afinal é tudo faz de conta mesmo.

O terceiro detalhe que percebo nessa reciclagem é que de um ano pra cá, meus poemas têm ganhado um tom mais leve, mais brando, com palavras fluindo como brisa, como água num regato. Nada de temas pesados, rebeldes. Só temas de amor, amizade, esperança. Borboletas no ar. Pôr-do-sol perfeito. Passarinhos na janela. Pessoas rindo fácil. Em algumas eu pareço até um adolescente escrevendo. Agora eu falo de SINTONIA, EXPLOSÃO, imagino quadros que nem DA Vinci pintaria. Vivendo MIL ENCANTOS. Enfim, uma nova fase em que a vida proporcionou um sol para mim: será o AMOR??? Com certeza!!!

Carlos Soares de Oliveira

2 comentários:

Flamarion Silva disse...

Gostei da crônica de suas fases, Carlos. É incrível como a literatura, para quem escreve, está fortemente vinculada à nossa personalidade e, de certa forma, ela trabalha a nosso favor, expondo, parindo uma dor, uma aflição, um amor, enfim, arte, fruto da sensibilidade, e de outros elementos.
Grande abraço.

(Carlos Soares) disse...

Caro Flamarion. Obrigado por suas palavras e já li coisas boas suas aqui nesse blog tão bacana do Vilarinho